Edição Nº 898
Brasil, 3 de Setembro de 2010
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O jovem brasileiro figura entre os mais religiosos do mundo. É esse o resultado de uma pesquisa realizada pelo instituto alemão Bertelsmann Stiftung, que investigou a crença de jovens em 21 países. Na escala de religiosidade, o Brasil ficou em terceiro lugar, apenas atrás da Nigéria e da Guatemala.

A pesquisa mostrou que 95% dos jovens brasileiros, com idade entre 18 e 29 anos, se definem como religiosos. Além disso, 65% deles se dizem “profundamente religiosos”, e apenas 4% afirmaram que não possuem religião nenhuma. Na Nigéria, os que se dizem “profundamente religiosos” atingem 91%, seguido pela Guatemala, com 75%. Já os residentes do Reino Unido, Áustria e Rússia foram os que mais responderam não possuir religião, com 37%, 39% e 53%, respectivamente.

De acordo com o médico psiquiatra Frederico Leão, coordenador do Núcleo de Estudos de Problemas Espirituais e Religiosos do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, em São Paulo, o brasileiro sempre esteve entre os povos mais religiosos, e esse retorno às práticas religiosas pela juventude acontece devido ao período turbulento em que o mundo se encontra. “O momento histórico que vivemos, com preocupações globais, estimula as pessoas a pensarem na religião e a buscarem algo a mais.

O momento também é de consumismo exagerado, que foi seguido por uma crise global. Isso também leva as pessoas, principalmente os jovens, a se esforçarem em novas reflexões”, avalia o especialista.

Pensando em termos mundiais, o psiquiatra lembra, ainda, que entre os locais onde a religião mais se manifesta estão o Brasil e os Estados Unidos, enquanto que na Europa os sinais de religiosidade andam mais escassos. “De alguma forma os europeus se afastaram mais das religiões e das crenças, enquanto que os brasileiros se aproximaram, assim como os norte-americanos, que sempre foram bastante religiosos”, conclui.

Em outros questionamentos da pesquisa, o jovem brasileiro reafirmou as crenças pessoais. A maioria, 32%, afirmou pensar na religião frequentemente, enquanto que apenas 5% disseram nunca refletir sobre o assunto.
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