São Paulo/SP – Apesar de parecer uma situação engraçada, a gagueira deve ser levada a sério e tratada. Ainda há muitas idéias erradas sobre o problema, como pais que fazem de conta que o filho não está gaguejando e esperam o tempo passar para ver se a situação muda; a concepção de que basta ter “força de vontade” para parar de gaguejar; entre outras coisas. Porém, a gagueira é uma dificuldade real de fala e não uma questão de falta de empenho ao falar.
Estima-se que 5% da população mundial seja de gagos, sendo 1% com gagueira crônica. O problema atinge mais o sexo masculino – numa proporção aproximada de quatro homens para uma mulher. Há várias teorias que tentam explicar suas causas, ainda sem um consenso, mas a comunidade científica mundial considera a gagueira como um distúrbio multifatorial, com interação de fatores genéticos, neurofisiológicos, emocionais e sociais.
Os especialistas concordam que o problema é involuntário, ou seja, a pessoa não tem como impedir essas interrupções no fluxo da fala. Muitas vezes, quanto mais ela tenta se controlar para não gaguejar, mais se complica. O sofrimento e a frustração por não conseguir falar fluentemente e o medo e a vergonha de gaguejar em determinadas circunstâncias agravam mais a situação. Porém, compreender a gagueira é um pré-requisito para lidar com ela de forma mais adequada e superá-la.
Sintomas
De acordo com a Associação Brasileira de Gagueira (www.abragagueira.org.br), os sintomas externos produzidos pelo problema podem ser listados da seguinte forma:
• Repetição de sons e sílabas; dificuldade de ligar os elementos na fala.
• Prolongamento de sons; alteração na temporalização da fala.
• Bloqueio de sons (ocorre quando o som fica “travado”, “preso”).
O casionalmente, isso também pode acontecer com os falantes fluentes, mas em menor número, sem tensão ou movimentos associados e, principalmente, seguido de pronta recuperação da fluência.
Segundo a fonoaudióloga Ignês Maia Ribeiro, membro fundadora e presidente do
Instituto Brasileiro de Fluência (www.gagueira.org.br), além desses sintomas, considerados primários, há também os
secundários:
– Os sintomas secundários desenvolvem-se a partir da vivência da fala gaguejada, como as tensões oro-faciais e corporais globais, alterações pneumofonoarticulatórias (alterações da respiração no momento da articulação da fala), desvio do contato do olho, substituição de palavras e o ato de evitar situações de fala, entre outras coisas – explica a médica.