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Resíduos nucleares “desabrigados” |
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Clayton Carvalho
Após o projeto de implantação da usina nuclear de Angra 3 ter saído do papel, continua o impasse sobre qual será o destino definitivo do lixo atômico resultante no processo de obtenção de energia a partir da fissão do urânio. Em princípio, a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, que engloba as usinas de Angra e Angra 2 e as obras de Angra 3, no Estado do Rio de Janeiro, abriga o “hóspede” em depósitos especiais, já que a construção de um local definitivo para os resíduos deverá ficar para 2012.
Os dois ambientes próprios para o armazenamento, que atendem, principalmente, à demanda de Angra 1, por exemplo, estão bastante saturados - um apresenta 76% de nível de ocupação, enquanto o outro está com 93% da capacidade preenchida. O grande acúmulo resultou num investimento de R$ 15,2 milhões para a expansão de um deles e construção de um novo.
Tal quadro gerou uma reação por parte do Ministério Público Federal (MPF), que entrou com uma ação civil pública, exigindo a instalação de um depósito definitivo para os resíduos atômicos de Angra 1 e Angra 2. Enquanto isso, a indefinição segue sobre o destino final dos rejeitos. A escolha do lugar ficará por conta da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), que estuda a possibilidade de criar uma estatal para gerenciar os resquícios.
Caso saia da teoria, a estatal, que teria como uma das fontes de receita a taxa cobrada pelo armazenamento, administraria os materiais finais contaminados decorrente das usinas, como luvas, sapatos e filtros de ar. A gestão dos depósitos iniciais de rejeitos continuaria nas mãos da Eletronuclear, que opera a central nuclear de Angra.
De acordo com o presidente da Cnen, Odair Gonçalves, os custos envolveriam cerca de US$ 20 milhões, e a existência de um lugar definitivo depende da quantidade de usinas almejadas pelo governo, quantia até então desconhecida.
– Precisamos pensar na política para o setor e não em uma solução imediata – explicou.
Radioatividade varia
O resíduo atômico produzido pelas usinas pode ser classificado como de baixa, média ou alta radioatividade. Nos dois primeiros casos, o caráter radioativo leva cerca de cem anos para ser dissipado. O último necessitam de milhares de anos.
Embora não haja uma técnica segura para estocagem de grandes quantidades de lixo nuclear, segundo especialistas, as piscinas apropriadas dentro de Angra diminuem os riscos de contaminação, por evitarem contato externo. |
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