Edição Nº 818
Brasil, 3 de Setembro de 2010
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Denúncia paga



A Câmara Municipal de Toledo (PR), aprovou, na segunda-feira (17), o Programa Informante Cidadão, que recompensa com R$ 400 quem passar informações que levem a polícia aos mais diferentes criminosos.

A medida entrará em vigor em 15 de setembro e contará com uma reserva de R$ 12 mil dos cofres da prefeitura. Para garantir o pagamento apenas em casos confirmados, a pessoa que faz a denúncia recebe a metade de uma senha e, caso a informação provoque prisões ou apreensões, recebe a segunda metade e o dinheiro.

“A finalidade principal é inibir os crimes, principalmente relacionados ao tráfico de drogas, que provoca outros crimes. Tudo o que vem para auxiliar os órgãos de segurança deve ser aplaudido”, garante o coronel Honório Carneiro, secretário de Segurança e Trânsito de Toledo.

Essa não é a opinião do advogado criminalista paranaense Diogo Bianchi Fazolo, que acredita que o programa criará uma nova profissão: “O dedo-duro profissional. É o tipo de medida que só o estado policial e autoritário toma.

Basta lembrar que, nos Estados Unidos, entre os anos 40 e 50, era incentivado que os cidadãos denunciassem uns aos outros, o que instaurou o medo entre a população.

O problema é que parte da população aplaude. Mas qual é o preço que ela nos fará pagar? Queremos, sim, o combate da criminalidade, mas sem descambar para a delação e o medo”, critica.

“Posso garantir que até agora não existe informante profissional em Cascavel (primeira cidade do Paraná a adotar o Programa Informante Cidadão). Essa foi uma ideia do delegado Algacir Mikalovksi, eu acredito que inspirado num programa de Nova York, nos Estados Unidos, onde houve um grande aumento de denúncias”, aponta o delegado substituto, Mozart Person Fuchs. Desde março, a prefeitura paga R$ 200 a cada denúncia bem-sucedida.

A média agora é de cinco denúncias por dia, das quais cerca de três rendem recompensa, pois parte dos denunciantes preferiu não receber o dinheiro. (G.B.)
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