Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram, a partir de cortes magros de carne bovina, uma mistura apelidada de “carne em pó”, que, por ser rica em aminoácidos, proteínas vegetais e ferro, atende as necessidades nutricionais de pacientes que não podem mastigar alimentos sólidos, como após cirurgias de cabeça e pescoço ou de pacientes com doenças como Parkinson e Alzheimer.
Uma porção de 20 gramas do produto supre as necessidades diárias de proteína animal. “Sempre tivemos grande dificuldade em oferecer sopas com carne, pois, mesmo batendo-a, ela ficava quase toda na peneira”, lembra a nutricionista Suely Prieto de Barros, do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da USP e uma das responsáveis pela pesquisa.
Testada com sucesso em pacientes em fase pós-operatória de cirurgias labiopalatinas (nos lábios ou no céu da boca) ou bariátricas (conhecida como “redução de estômago”), a “carne em pó” possui o menor teor possível de gordura saturada, não tem a adição de temperos, estabilizantes e corantes industrializados, e se dissolve com facilidade em sopas e patês. “Recentemente, a testamos em doces de banana e de abóbora, e no molho de tomate para macarronada, e ela teve 100% de aprovação quanto ao paladar”, finaliza Suely. (G.B.)